terça-feira, dezembro 28, 2004

Reflexões comprovadas

Ontem estive num jantar de aniversário. Isto pode parecer-vos surreal, mas quem me conhece acusa-me, ultimamente, de sair pouco, quem não me conhece, enche a boca para me chamar de anti-social.
Mas este jantar (no qual tentei espalhar, sem sucesso parece-me, a morada desta casa) fez-me comprovar algumas ideias aqui reflectidas.
De facto, é nestas horas que as piadas secas surgem:

"O B. gosta tanto, tanto, tanto de motas que quando morrer quer ser cromado"
Esta foi inventada, tanto quanto pude apurar, por M.A. e dita por M.
Pedi autorização para a publicar e disseram-me que sim. Não tenho é a certeza de que terem ouvido a pergunta.

O segundo ponto, já aqui discutido, é sobre a memória e a sua relação com a piada seca (reflexão extremamente pertinente do sr. Z@ - permita-me tratá-lo assim).
Na verdade, tenho algumas reminiscências de, por volta da hora zero, termos saído da casa de repasto e colocados ante a hipótese do "para onde vamos?", alguém ter mencionado "Mancha Negra", um outro ter acusado que o "tipo é uma nódoa" e depois algumas recordações avulsas sobre glutões, presto, criptonite e super-homem.
Também tenho uma vaga ideia de se ter discutido autópsias, cérebros que se tiram e depois não cabem e cérebros que se tiram e depois se metem na barriga.
Vejo-me agora na situação, quiçá aflitiva, de desconfiar ter estado perto de piadas secas de nível elevado e não me lembrar de nada.
Descansam-me as reflexões do mestre espiritual desta casa: não sou a única a quem isto acontece.

12 comentários:

RedScout disse...

Já que estamos numa de reflexões e estamos na altura do Natal, não posso deixar de compartilhar convosco esta frase dita ontem por esse grande actor que é o Marco Horácio em directo da Figueira da Foz no Levanta-te e Ri:
Não penses no passado, que não podes mudar. Não penses no futuro, que não podes prever. Não penses no presente, que não comprei.

TRAlves disse...

É nos jantares, convívios e socializações com pessoas de um certo nível intelectual e humorístico que os momentos mais secos surgem. Existem situações em que a piada seca irradia num fenómeno de rara beleza. É impossível repetir esses momentos. Na associação "mancha negra"/"é uma nódoa" é relativamente fácil de perceber a piada. O resto é como um acidente de viação:
"Eu ia a falar com os meus amigos sobre nódoas, de repente o gajo que estava à minha frente ginou para os glutões sem avisar, e quando dei por mim já estava capotado a rir com o super-homem."

Já agora, eu também já tive a experiência traumática que é jantar com alunos de medicina... Não vou referir promenores (até porque acabei de almoçar), mas posso afirmar foi abordada a temática do exame à próstata, nomeadamente numa aula com vários alunos e alunas a ver e a experimentar. Depois disto, a conversa das autópsias parecia sobremesa.

Sofia Bento disse...

Imagine então o sr. TRAlves a minha angústia se eu lhe disser que estes já não são alunos...

TRAlves disse...

Isso de já serem médicos acho que ajuda... Parte do meu trauma vem de imaginar um Sr. a ser examinado enquanto vários alunos e alunas (a que estava a contar até era bem gira) viam e experimentavam. Não é preciso explicar como é que se faz um exame à prostata, pois não?

RedScout disse...

Como se já n fosse suficientemente mau um gajo levar com um dedo pelo cú acima como ainda por cima era com assistência... e a assistência tb podia meter o dedo... dassss....

TRAlves disse...

RedScout: Obrigado por teres trazido de novo essa imagem à minha cabeça, ainda por cima de uma forma tão explícita...

A resposta certa à pergunta era:
- Não.

RedScout disse...

Sempre podes ter a sorte de uma das alunas gostar do que viu e te convidar para sair no dia seguinte. Se bem que não sei se uma rapariga ia gostar de sair com alguém a quem já meteu o dedo...

TRAlves disse...

Duvido muito que isso fosse acontecer. Acho que numa situação dessas ia ficar muito... tímido...
Não iria causar boa impressão...

Sofia Bento disse...

ahahah, o sr. TRAlves, um tímido?

desculpem, decididamente o meu cérebro não está a funcionar devidamente, pelo que o vou fechar e aproveitar os últimos resquícios de lucidez para desejar um Feliz 2005. Até para o ano, camaradas!

TRAlves disse...

É melhor... Essa pergunta que a Sra.Sofia fez não pode ser respondida de uma melhor maneira que não através da transcição deste pequeno, mas grande, diálogo entre George e Elaine (Seinfeld ep. "" The Hamptons):

"Do women know about shrinkage?"
"What do you mean, like laundry?"
"No..."
"Like when a man goes swimming... Afterwards..."
"It shrinks?"
"Like a frightened turtle."
"Why does it shrink?"
"It just does."
"I don't know how you guys walk around with those things."
- George, Elaine and Jerry, in "The Hamptons"

Ivo Jeremias disse...

A verdade é que quem tem cu tem medo... e uma plateia cheia de aspirantes a médicos... prontinhos e ansiosos de meter as unhas numa cobaia de rabo pró ar... realmente mete muito medo... cruzes canhoto!

Gabriel disse...

Pois é, pois é... a hora zero costuma ser traiçoeira. Também por isso, propícia a aumentar a "secura" das piadas. A essa mesma hora, há coisa de 2 semanas, vinha-mos uns 20 gatos pingados a saír do "Serenata", vindos de um jantar da mailing list dos Mao Morta... quando um grupo de embriagadamente divertidos estudantes nos aborda para iniciar uma interessante conversa do género "oub'lá, eu... tu és aquele... ou, ai... é man, eu num sei, mas...", enquanto uma das moças falava, ao telemóvel, com o Adolfo Luxúria Canibal. O estudante grita "Adolfo, amigão, um abraço, man... tens uma amiga muito fixe... ó Adolfo, curte bem aí a noite, man... devias estar era em Coimbra!". Acabou o telefonema, nós registámos com agrado a simpatia pelo lider mão morta, mas o estudante pergunta "Afinal quem é que é esse Adolfo? Eu pensei que voces estivessem no gozo. Estavas mesmo a falar com um gajo chamado Adolfo?"
Ainda tentamos explicar que era o vocalista dos Mao Morta, mas ele tb não conhecia... talvez porque estava menos a seco que a piada que proporcionou. E tudo isto porquê? Por causa da hora Zero, claro!