terça-feira, dezembro 28, 2004

Vôo Transatlântico

- Porque é o que o Coutinho e o Cabral demoraram 62 horas de Lisboa ao Rio de Janeiro?
- Porque o navegador era Gago!

26 comentários:

TRAlves disse...

Não percebi...
O facto de se ser gago em nada diminui as capacidades de realização de um homem.

RedScout disse...

O navegador é o que vai a ler o mapa e a dar as instruções...

topealvim disse...

Pah tenho vergonha de admitir mas demorei meio ano a perceber a piada :) Bem, eu costumo ter a desculpa de "hoje é segunda-feira" por isso digo com toda a convicção: "HOJE É QUARTA!" e acho que isso explica tudo.

Não tenho muitas oportunidades para me envolver nas dicussões metafísicas que surgem após um post mas sou ávido leitor =) (sim há de haver o dia em que o não será "o meu pipi" nem o "Código DaVinci", seremos nós!)

E vou ter medo desse dia :D mas até lá,

postem muito e fiquem bem,

tope (lê-se Tó-Pê)

TRAlves disse...

Eu percebi a piada... mas reitero na afirmação:

SER DISLÉXICO (já agora, quem inventou esta palavra era mesmo para gozar os os gagos... é difícil de dizer como um raio!) NÃO DIMINUI EM NADA, E REPITO, NADA, AS CAPACIDADES DO INDIVÍDUO!

A sociedade é que associa a dificuldade em falar com a dificuldade em pensar!

tenho dito.

Telmo Cardoso disse...

Pois,

dizes bem, "dificuldade em falar" :P logo "O navegador é o que vai a ler o mapa e a dar as instruções..." dá instruções mais len...len...lentamente! né?

TRAlves disse...

Penso que vou falar em nome de todos os disléxicos com sentido de humor. Senão, falo só por mim, o que já é razão suficiente.

Quero explicar a todos que o disléxico é uma pessoa como outra qualquer. Conhece as suas limitações, bem como os seus pontos fortes. A própria vida acaba por ensinar a viver com esta prisão vocal. Vocês não sabem o que é querer dizer alguma coisa pertinente ou com piada e simplesmente não o conseguirem fazer naquela pequena janela temporal em que as outras pessoas páram de falar. É como viver encarcerados numa jaula com 1 cm2 de abertura para o exterior.

Uma pessoa com sentido de humor gosta de mandar umas bocas, e normalmente tem também a capacidade de aparar as papaias remetidas pelos outros. Eu não me importo que "brinquem" com a minha dislexia, mas existe um tipo de "brincadeira" que irrita a um nível que vocês não podem nem querem imaginar:

quando "imitam" a gaguês dum gajo.

O som de uma gozação desta natureza faz vibrar os tímpanos na frequência que faz a artéria junto à zona cerebral responsável por "coisas-que-irritam" se dilate, bombeando grandes quantidades de sangue oxigenado para essa mesma zona.
O resultado é imprevisível, mas na maior parte das vezes nem se nota porque normalmente causa uma paralesia completa de todos os músculos. Apesar de passarem 50.000 respostas possíveis que humilhariam o "gozador", nem uma consegue fazer as cordas vocais vibrarem...

Sofia Bento disse...

Não sou disléxica, mas percebo perfeitamente esta sensação: "simplesmente não o conseguirem fazer naquela pequena janela temporal em que as outras pessoas páram de falar". Isto acontece muito em rádio, quando os entrevistados não fazem as pausas devidas, tal a ansiedade de passar a informação que querem. E cria problemas terríveis, é preciso treinar bastante para conseguir elevar a voz de tal maneira, num período de tempo muito rápido, para que a pergunta que se impõe saia de nós no tempo certo.
De qualquer forma, o sr. TRAlves há-de ter mais cuidado com os nossos ouvidos, eu que já ando meio surda a levar berros destes... :)

TRAlves disse...

Pensei que a Sra.Sofia já tinha ido festejar o revelhão para um reino distante. Já se tinha despedido do blog 2004 no último comentário.

Em primeiro, permita-me que discorde, mas só um disléxico sabe o que é carregar este fardo. É a mesma coisa que alguém contar a sua experiência num campo de concentração nazi e outra pessoa dizer: "Ah! Eu sei bem o que é isso! A minha professora do 5º ano era muito má e às vezes não deixava ir para o recreio".

Em segundo, eu não estava a gritar. Estava a falar acentuada e audivelmente, e na minha voz assustadora. Alguns membros deste blog já poderam ficar intimidados em várias alturas em que fiz esta voz especial para o efeito, e eles podem dizer o quão assustador ela é.
Tanto é que no outro dia eu disse para a minha irmã:
- (voz assustadora) Hey! Mana! Quem é que me comeu o toblerone!
- Foi a mãe. Estás rouco?
- Não! Não vês que é a minha voz assutadora!
- (ela com a sua voz assustada, que por acaso é muito parecida com a sua voz irónica) Ui! Estou mesmo assustada!

RedScout disse...

TRAlves, só vou explicar isto uma vez (e na minha voz assustadora):
Ou admites que o trocadilho com o nome do homem até tem muita piada ou vou aí e parto-te todo, ok?

Sofia Bento disse...

1. Eu também pensava. Felizmente ainda estou por cá.
2. Não peço permissão para discordar porque o exemplo do campo de concentração parece-me execrável.
3. Não disse que compreendia a dislexia, disse que compreendia a aflição de querer dizer algo num determinado tempo e não conseguir.Quando se começa a fazer rádio, esta é uma das maiores aflições: numa entrevista em directo ter de fazer uma determinada pergunta num determinado espaço temporal e não conseguir. Quando se não o fizermos naquele espaço de tempo, a pertinência da pergunta perde-se para sempre.

Mas repare, que não pretendi minorar o fardo que diz carregar e como prova disso posso afiançar-lhe que terá toda a compaixão que parece querer despertar. Mas admito que o meu comentário não tenha sido muito elegante, afinal não há nada mais irritante do que nos virarmos para alguém a contar as nossas mágoas e como estamos tão doentes e como somos uns desgraçados e como não temos sorte nenhuma e como ninguém gosta de nós e acabarmos a ouvir um gajo a dizer-nos com maior lata deste mundo que também sofre! Pff! Ele há gente que não se toca!

Sofia Bento disse...

Tem muita piada, sr. RedScout. Oopps, quero dizer, tem muita piada, RedScout. Eu devo admitir que só percebi quando o sr. quer dizer, quando o RedScout explicou que "O navegador é o que vai a ler o mapa e a dar as instruções...". Mas já me conhecem: ainda estou numa fase de aprendizagem...

Sofia Bento disse...

E, por favor RedScout tenha piedade e não realize a ameaça que fez, se não, o próximo comentário do sr. TRAlves há-de ser do tamanho do mundo e sobre as misérias decorrentes de tal atitude...

RedScout disse...

Só não realizo a ameaça porque, como bom escuteiro que sou, sou amigo dos animais...

Sofia Bento disse...

Uff! Obrigada. Eu já estava aqui a tentar preparar-me psicologicamente para percorrer os olhos na diagonal por um comentário sobre as misérias e desgraças de que o sr. TRAlves se considera objecto!!

RedScout disse...

Já agora, nunca me disse/disseste como gostava/gostavas que a/te tratasse, Srª Sofia/Sofia.

Sofia Bento disse...

Tenho este hábito de tratar pessoas jovens por sr. e cavalheiro. É um fórmula que uso com simpatia e até, em alguns casos, carinho.
Relativamente à tua pergunta, qualquer que seja a fórmula pela qual me trates, estará sempre bem :)

TRAlves disse...

Tenho que pedir desculpas por dois motivos:

1- A minha falta de auto-estima faz-me, muitas vezes, ter este tipo de reacções de comiseração (neste blog é quase o meu depósito de queixumes). Ser gago não é assim tão mau... acaba por ser mais um estilo próprio de expressão. (e eu nem sequer gaguejo assim tanto...)

2- Excusava ter trazido a imagem do campo nazi para este blog, apesar de crer ter sido bem menos ofensivo que outras piadas que se contam (eu não conto essas piadas).

TRAlves disse...

Só vi alguns dos últimos comentários entre a Sra.Sofia e o Sr.RedScout depois de ter colocado este último.

Só tenho uma coisa a dizer:

(Voz assustadora/transtornada)
Vós sois um bando da mafarricos!

RedScout disse...

Piadas más sobre campos de concentração são aquelas que toda a gente já conhece e que acabam por perder a piada de tão banalizadas que estão...

Hitler: Eu tenho sangue judeu...
Judeus: Hey... Viva...
Hitler: ...no para-choques do carro!


- Como se metem 4 alemães e 40 judeus num carro?
- 2 alemães à frente, 2 atrás e os judeus no cinzeiro.

Sofia Bento disse...

Pronto, sr. TRAlves, pronto, queixe-se lá à vontade. Afinal, cada um de nós tem "dois ouvidos" e "dois ombros", bem podemos emprestar um de cada ;)

Sofia Bento disse...

Agora fiquei mesmo comovida. Nunca ninguém me tinha chamado de mafarrico! sniff... sniff Obrigada, sr. TRAlves, obrigada... estou sem palavras...

Gabriel disse...

O meu pai é gago que até irrita... e é Adelino COUTINHO!
Penso que tenho autoridade suficiente para comentar este "coiso". Mas a-a-a-ach-o-o-o... qu-eeee-e-e-e n-n-n-n-n-não se-se-ráaaá ne-ne-ne-necessá-ce-ce-ssári-iiii-iii-o!

Gabriel disse...

E porque é que esta piada é seca? Porque o avião se aguentou sempre sem caír ao mar!
(Não? Não resultou? Porra... pareceu-me suficientemente seca, mas...)

TRAlves disse...

Gabriel, essa piada foi mesmo seca e ao mesmo tempo inovadora: a meta-piada seca! É uma piada seca sobre a piada seca. Muito boa mesmo!

Quanto ao teu comentário anterior, só posso dizer uma coisa: artéri ri ri ri a a a a a di di di latar...

Gabriel disse...

Obrigado, Tralves. Eu tive mesmo que reagir. Ninguém fica insensível quando se depara com uma boa piada seca! O mundo está minado de más piadas secas. Como aquela da Senhora que vai ao médico ("Senhor Doutor, doi-me quando carrego aqui!", ao que responde o médico "Então não carregue!"), ou mesmo a da mesma senhora que pergunta "posso tomar estes comprimidos com diarreia" e o médico responde "acho melhor tomar com àgua". Ou, o que é ainda pior, a mesma senhora (safa, que a velha é chata!) que vai ao médico e pergunta "Senhor doutor, posso tomar banho com o período?", ao que este responde "Claro, se conseguir encher a banheira!". Mas estas piadas são tão secas, tão secas, que duvido que alguém tivesse o mau gosto de as mostrar aqui! E é contra elas que temos que lutar...
;-)

RJT disse...

Fico contente por saber que há pessoas que não são membros do blog e que acham que há piadas demasiado más para nós. Ao mesmo tempo, fico assustado por pensar que há pessoas acham que nós temos um nível de gosto superior a menos infinito.