quarta-feira, dezembro 15, 2004

A piada seca internacionalmente rebuscada

Mais uma nova modalidade chega a este blog: A piada seca internacionalmente rebuscada.

De que são feitos os bons sonhos?

R: Disto.

34 comentários:

RedScout disse...

De manhã é sempre complicado de perceber estas coisas. Mas depois de olhar para a piada pela 843ª vez e de ter tentado traduzir para inglês (já que é uma piada seca internacionalmente rebuscada) tornou-se claro como a água.
Muito boa piada!

Sofia Bento disse...

Eis aqui um excelente pretexto para iniciar uma reflexão sobre a piada seca, porquanto esta, em particular, me suscita algumas dúvidas que gostaria de ver esclarecidas.
A primeira refere-se à característica de internacionalidade da piada seca, que, suponho, subjaz aos "bons sonhos". Tentei encontrar estudos que permitissem aferir da internacionalidade dos bons sonhos, mas não consegui. Também me parece difícil de provar, já que um sonho será bom consoante a pessoa que o sonha e parece-me difícil (mas talvez não impossível, daí a dúvida) que o sonhador possa estar dentro e fora ao mesmo tempo.
Depois, há ainda a questão da faixa etária. Estaremos perante uma piada seca dirigida à faixa etária jovem ou adulta?
E para esta piada seca ser cabalmente internacional, não deveria, no primeiro caso fazer uma referência a Londres e à lavagem de pratos e no segundo caso, referência a Nova Iorque e à passagem de ano?
Ou estas referências colocariam a piada seca em risco de ser tomada como uma vulgaridade, perdendo-se assim a profundidade da referência ao sonho?
Como já referi, num comentário anterior, tenho algumas dificuldades nesta matéria, pelo que agradeço a ajuda que me puderem dar neste caso.

RedScout disse...

Sweet dreams are made of this...

RJT disse...

Eu avisei que tinhamos aqui um dos mais versáteis especialistas da piada seca. Mas confesso que mesmo depois de traduzir para inglês, ainda não percebi...

Sofia Bento disse...

De facto, se abolirmos a forma de pergunta-resposta e traduzirmos para inglês, fica claro. Tão claro, que explica de forma cabal o adjectivo de "rebuscada" apenso à piada seca. Obrigada.

RedScout disse...

Depois de percebermos até que tem piada (e o objectivo era mesmo esse). Este gajo até nas músicas que ouve se inspira para criar piadas secas...
Continua!

RJT disse...

Pois, eu estava a procurar algum trocadilho com a palavra this. É realmente bastante seca.

TRAlves disse...

Esta piada foi muito seca, mas o trocadilho é pouco rebuscado, já que se limita à tradução simples da resposta para uma outra língua. Já agora a música original não é dele (Marlyn Manson) é dos Eurythmics, que eram um grupo do tempo dos inícios da música electrónica, quando apenas existia um ritmo e um som sintetizado (creio que é o mesmo usado nos telemóveis sem toques polifónicos de hoje em dia).

RedScout disse...

Ainda ninguém tinha dito que a música era do MM. No que me toca, até prefiro ouvir a Annie Lennox a cantar isto do que o MM, mas gostos não se discutem.

RJT disse...

Eu prefiro a versão do Nas - Street Dreams.

HeroOfTheDay disse...

Ainda bem que gostaram. Esta piada surgiu num diálogo entre eu e provavelmente a pessoa mais interessante que conheço, uma rapariga chamada Mihaela Balint, Romena, que alguns de vós já tiveram oportunidade de ver em fotografias (ao que se seguiu uma vontade enorme de abandonar as namoradas correntes).
Um dos traços que a torna interessante é o facto de ser adepta incondicional da filosofia "or not" (eu falo Inglês com ela), que corresponde à nossa palavra de ordem mais célebre.
Quando lhe falei que nós tínhamos uma religião chamada "Rastafarian Druid Budhism", que se baseava na filosofia "ou não", as primeiras perguntas que ela fez foram: "How many adherents?" e "Are there any girls?", ao que eu respondi, respectivamente, "6 or 7" e "No, but a lot of computer engineers. I suspect that's not a coincidence :)".
De seguida, naturalmente, pediu para aderir à religião, e eu disse que tinha de falar com o mestre espiritual Zarroba para ver se havia algum problema. Ora, isto representa a primeira oportunidade de atravessarmos as fronteiras deste Rectângulo e logo de uma forma apreciável, já que a Roménia fica no outro extremo da Europa. Há objecções?

Não me lembro exactamente do diálogo, mas foi algo assim:

HeroOfTheDay - Do you know what sweet dreams are made of?
Mihaela - Sugar? Candy?
HeroOfTheDay - No. This.
Mihaela - I knew that. And who am I to disagree?
HeroOfTheDay - You knew that but you didn't know this. You know what?
Mihaela - No. I know that.
HeroOfTheDay - We should travel the world. And the seven seas.
Mihaela - Are you looking for something?
HeroOfTheDay - Isn't everybody?

Sempre que falamos é isto. É um espectáculo.

Ah, e para finalizar, quando penso em "Sweet Dreams" penso sempre primeiro em "Eurythmics" e "Annie Lennox" e não em "Marylin Manson". Não que não goste destes últimos, pelo contrário, mas é que o original é sempre melhor.

zarroba disse...

Realmente essas conversas são dignas de duas pessoas que confessam a religião Budista-Druida-Rastafari (esta ordem não é ao acaso e agradecia que fosse mantida...). Quanto ao não haver raparigas na religião, isso é mentira. Há já algum tempo que converti duas, sendo que uma delas quase que acredita mais na religião que o próprio criador. Mas realmente é a primeira internacionalização da religião. Diz-lhe que lhe enviaremos os impressos numa próxima oportunidade.

RJT disse...

Caro maninho, o herói do dia teve o cuidado em manter espírito original. Acontece que em Inglês a ordem deve ser invertida, para que o adjectivo principal fique em último lugar.

Fico contente com a expansão desta religião cuja evolução tive o privilégio de acompanhar e à qual se pode dizer que pertenço com o estatuto de independente.

Já agora, gostava de saber se o sequismo tem algum lugar na religião?

zarroba disse...

Relmente tens razão, peço desculpa pelo desvaneio...

Sofia Bento disse...

Primeiro lê-se a piada seca, depois percebe-se, consoante o background que tivermos e até se aprecia, e depois vem alguém, fala-nos no diálogo que originou a piada seca e acaba-se o mundo, tal como o conhecemos, o mesmo é dizer, que a piada, subjacente à piada seca, inundou...
Como é que alguém consegue fazer uma piada seca a partir deste diálogo?
Que mente, que cérebro se lembraria de fazer uma piada seca a partir de um texto destes?
Não existe um código deontológico da piada seca? Não haverá, no código, um artigo que diga algo como
"O fazedor de piadas secas (cá temos o problema da nomenclatura: piadasequeiro? Sugestões?) terá liberdade para utilizar diálogos como fonte para as suas piadas secas. No entanto, nos casos em que a esses diálogos subjaz um grau de profundidade, perdão, subjaz um metro de profundidade, como o caso que segue

"HeroOfTheDay - Do you know what sweet dreams are made of?
Mihaela - Sugar? Candy?
HeroOfTheDay - No. This.
Mihaela - I knew that. And who am I to disagree?
HeroOfTheDay - You knew that but you didn't know this. You know what?
Mihaela - No. I know that.
HeroOfTheDay - We should travel the world. And the seven seas.
Mihaela - Are you looking for something?
HeroOfTheDay - Isn't everybody?"

Deverá o criador, fazedor de piadas secas de se abster de o fazer saber aos seus colegas de profissão. Há várias razões para esta abstenção, mas que não podem ficar registadas num código deontológico."

Este é aquele tipo de texto que:
1.imprime-se
2.agarra-se numa máquina de escrever
3.ruma-se a uma ilha paradisíaca
4.escolhe-se uma cabana com vista para o mar
5.fornece-se (a cabana primeiro, o corpo depois) de cafeína, nicotina e álcool
6.lê-se 3000 vezes
7.espera-se que que baixe a inspiração
8.escreve-se (ou não) o que a inspiração ditar


Este não é aquele tipo de texto que:
1.lê-se
2.jorra-se uma piada seca

Quer dizer, faz-se piadas secas e há que ter brio e decoro naquilo que se faz.
Eu sei que às vezes acontece, não é por mal, e às vezes também não se controla, mas nesses casos não se anda para aí a espalhar aos quatro ventos.
Quer dizer, amanhã, abrirei esta janela e deparar-me-ei com quê? Poesia e literatura? Amor e bolinhos? Lacinhos e rosinhas e outros -inhos e -inhas que tais?

TRAlves disse...

Queira perdoar-me a colega, mas não encontro tanta razão para espanto. Uma conversa dessas é perfeitamente possível. O que aconteceu foi uma rara sintonia de pensamentos, que só pode acontecer com pessoas com um nível de elasticidade mental elevado e que, ao mesmo tempo, partilhem uma base cultural e de conhecimento (neste caso, a letra da música).

Muitas piadas secas vêm de conversas.

TRAlves disse...

Ainda acerca da proveniência das piadas secas, acho que elas podem vir de qualquer palavra. Escolham uma ao acaso e digam-na milhares de vezes. A palavra em primeiro fica sem sentido e depois fica engraçada: duas grandes características de uma piada seca.

Sofia Bento disse...

O sr. TRAlves deu o mote a uma reflexão interessante sobre a proveniência da piada seca, embora possa até não ter consciência disso. O que só é de louvar, dado que, ao contrário do que se pensa, o professor do Ensino Superior não tem de ensinar e formar, no sentido dos níveis de ensino anteriores, mas sim dar pistas, apontar vários caminhos e lançar desafios. E estou a à vontade para dizer isto, já que quando era aluna defendia o mesmo e, portanto, não se trata aqui de uma inversão de papéis acompanhada de uma inversão de opiniões.
De facto, esta fonte de piada seca é rara e elevada, eu diria mesmo, muito elevada. Este é um texto bonito. Aliás, este é mais do que um texto bonito, de tal forma mais, que hesito pensando se terei a coragem necessária para o adjectivar.
...
Este texto é cândido.E foi por isso que, carísssimos, entrei em pânico. É verdade. Eu entrei em pânico. Já nos estava a ver a ser vaiados numa qualquer rua virtual escusa (ou não): "Olh'ós poetas!" ou "Olha, olha, arvoram-se em fazedores de piadas secas e afinal andam é a fazer literatura!"
E nem vale a pena pensar em dizer que foi A, B ou C porque nesta coisa dos grupos a responsabilidade cabe a todos por igual.
E perante esta imagem terrífica que se gerou no meu espírito, entrei em pânico.
O processo de gastar palavras como ponteciador de criação de piadas secas parece-me interessante e nunca me tinha apercebido de tal possibilidade.
Poderíamos traduzir em:

30x=piada seca, em que x E {palavras inteiras}

Suspeitava isso sim que há palavras que precisam de ser ditas menos vezes do que outras para serem gastas.

zarroba disse...

Já há algum tempo que andava a prepara um post sobre a proveniência, mesmo a essência da piada seca. Durante algum tempo neste blog o único pilar em que assentava a piada seca (além dos desvaneios do TRAlves) era os trocadilhos linguístico. Depois vieram os exemplos clássicos do non-sense (Porque é que o elefante caiu da árvore? Porque se desiquilibrou). Só muito mais recentemente chegaram os piropos secos.
A experiência demonstrou-me que a maior parte das piadas secas que surgem nas noites de convivio assentam precisamente nos trocadilhos linguísticos. Muito provavelmente a razão é conhecida de todos nós. A certa altura, começa a ser difícil falar, a língua começa a enrolar e palavras esquisitas saem da boca para fora. A razão porque mais piadas não saem mais ao mundo é porque a razão para o aumento da dificuldade em nos expressarmos é razão também para uma detiorização da memória.
Haverá então algum tipo ideal de piada seca? Será que os trocadilhos linguísticos são as piadas secas por excelência? Ou será que este título cabe às piadas secas non-sense? Ou não haverá nenhum tipo por excelência e são todas igualmente secas?

Sofia Bento disse...

Estava aqui a pensar se um conjunto de palavras poderá ser uma piada para uma determinada classe e, ao mesmo tempo, uma piada seca para outra classe.
O exemplo que me suscitou tal devaneio foi este:

A-Sabes quantos assessores de imprensa são necessários para enroscar uma lâmpada?
B-Não
A-Eu também não. Mas vou fazer uns telefonemas e já lhe ligo.

E suscitou-me a questão porque se quiserem ter a amabilidade de fazer a experiência, confirmarão que, se a disserem a um jornalista, ele vai agarrar-se à barriga de tanto rir, mas se a disserem a um assessor, serão brindados com um sorriso meio amarelado, misto de desorientação e enjoo.

Serve esta (pequena) introdução para fazer um acrescento às pertinentes questões do sr. zarroba, mestre espiritual e fundador deste blog. Terá a piada seca piada? Ou terá piada por não ter piada?
E muito mais importante: não estará a arte da piada seca, não propriamente na piada seca em si mesma, mas no conjunto de acontecimentos, referidos pelo sr. zarroba, que levam, inexoravelmente, à publicação de uma piada seca? Não serão estes os demonstradores do verdadeiro génio da piada seca?
(Voltei a exagerar no tamanho dos cometários. Este parece ser um problema feminino. Primeiro que uma mulher se cale... irra!)

RJT disse...

Cara Sofia,

A gente sabe que as mulheres falam de mais, mas não te preocupes, que nós gostamos. Para além disso, quando é preciso a gente manda-as calar.

Ficaram aqui muitas questões e poucas respostas. As piadas secas são um daqueles temas tão complexos que a própria definição de piada seca não é pacífica entre a comunidade secófila mundial.
As piadas técnicas são um bom exemplo da fronteira entre a piada seca e a piada normal, porque mesmo quando são boas piadas (e eu acredito que os jornalistas esbocem mais do que um mero sorriso perante essa piada), para os leigos são sempre piadas secas.

PS: Alguém sugeriu que tinhamos que organizar um jantar do blog, eu sugiro que se chame "1ª Conferência Internacional do Sequismo".

RedScout disse...

Para o nosso jantar, propunha algo como Processo Internacional de Aquisição de Dispostos Alimentares - P.I.A.D.A.

Mas se é para surgir nomes para um jantar, é só esperar por uma ideia brilhante do Sacra (a.k.a. HeroOfTheDay). O ME.R.D.A. de amanhã é apenas um exemplo do que ele consegue arranjar. Eu sei que já fui a pelo menos mais um jantar nomeado por ele mas não me recordo de como ele o baptizou.

zarroba disse...

Na minha humilde opinião, a piada seca tem de ter alguma piada. Julgo aliás (muita gente me irá sacrificar por isto de certeza) que uma piada seca pode ter imensa piada. Para mim a piada seca é muito mais do que uma piada com pouca piada, é quase uma forma de vida, é ... não sei explicar bem... Com a maioria das piadas aqui "postadas" eu não esboço apenas um sorriso. Houve até casos em que soltei altas gargalhadas. É por isso que a piada deixou de ser seca? certamente que não.
O cerne da questão está certamente no teu último parágrafo. A grandes piadas secas têm uma aura à sua volta devido à situação que levou à sua (da piada) criação. E isto eleve o nível da subjectividade da piada seca para níveis mais elevados. Deixem-me dar um exemplo. Para mim a piada seca que guardo com mais carinho é a do Hobbitwelu. Não pela piada seca em si, muito menos ter sido eu a inventá-la (cough cough), mas pelo momento que rodeu o aparecimento da piada. A envolvente da piada é mesmo tão importante que nos escusámos de "postar" algumas piadas secas precisamente pelo facto de ser impossível de transmitir o ambiente.

RedScout disse...

Acho que as piadas secas estão-se a tornar muito importantes nas nossas vidas e já há muito que deixaram de ser um hobbit...

TRAlves disse...

Viva!
Estou cada vez mais convencido de que estamos mesmo a precisar de um wiki para podermos compilar, ordenar e complementar todo o conhecimento que vamos adquirindo. Só nestes comentários foram abordados de forma aleatória e pouco profunda vários temas importantes (e nunca o adjectivo importante perdeu tanto valor devido ao âmbito em que foi utilizado) para a piada seca: o processo criativo, as fontes, os tipos e as reacções obtidas da piada seca.

Para os que não desperdiçaram as suas vidas envolvendo-se com a informática, um wiki é uma enciclopédia colaborativa. Podiamos criar vários temas e cada um ia contribuindo e compondo cada tema com as várias conclusões que vão surgindo do blog e não só.

Ao fim de algum tempo teríamos uma boa base sólida de conhecimento e, quem sabe, até alguma credibilidade.

Eu posso tratar do alojamento da wiki, caso concordem.

HeroOfTheDay disse...

RedScout: Então não te lembras do J.C.P.? O Jantar do Clube de Programação?

Já agora, M.E.R.D.A. é o Mega-Repasto de Despedida e Aniversários.

RedScout disse...

Eu sabia que o nome me lembrava os co... comu.. comun... os vermelhos, mas já não me lembrava em concreto!

RJT disse...

"Mega-Repasto de Despedida e Aniversários" não é MRDA?

HeroOfTheDay disse...

Por essa lógica, a moeda única Europeia seria o E e não o Euro...

RedScout disse...

Errado... A Moeda Única Europeia seria MUE.

RJT disse...

Euro não é nenhuma sigla... ECU é que era uma sigla (european currency unit).

Sofia Bento disse...

A questão é que MRDA não é facilmente pronunciável, desta forma a melhor opção parece-me ser a de grafar o referido jantar como Me.R.D.A., ou MeRDA.

RJT disse...

Esta discussão é um bocado estúpida. Diria mesmo que não tem ponta por onde se lhe pegue. se é MERDA é MERDA, e siga pa bingo.

Anónimo disse...

olha vcs estão mais paranóicos doque uma fã de heróinas no show do iggy em 73,Alô não é preciso se preocupar eu sei que vcs escorregam no quiabo e em falar nisso não vejo um desses desde que eu virei um louva deus na minha escola