quarta-feira, janeiro 19, 2005

"E fui, e fui, e criei um blog" - Review

O panorama audiovisual português parece estar a ser alvo de uma lufada de ar fresco. A nova geração prima sobretudo pela originalidade: ao invés de primeiro criar a obra e só depois a apresentar ao público, à laia de apresentação, meros retalhos do produto final, estes jovens criadores aprimoram a arte do trailer, elevando-o à mesma importância de uma obra acabada.
Responsáveis pelo primeiro Mestrado Mundial em Piadas Secas, estes jovens criaram um blog [http://piadassecas.blogspot.com] já com objectivos bem definidos: "lançamento do DVD, a escrita do livro, o musical na broadway e o spam por email".
O trailer "E fui, e fui, e criei um blog" do futuro DVD guia o espectador através de duas fases.
Num primeiro momento, somos confrontados com a apresentação deste grandioso projecto por dois membros fundadores do blog.
Ao espectador incauto poderá parecer que está perante um ambiente nostálgico, devido à suavidade da luz. Nada mais erróneo. O plano em contra-picado, utilizado durante toda a primeira parte e comparável ao sobejamente conhecido plano do Citizen Kane, mostra não só a imponência do que está a ser dito, como confirma o background cinematográfico destes jovens. E a prova continua com um discurso pausado, detentor de uma secura extrema. Porque estes jovens não esquecem os grandes mestres. As pausas no discurso, a extensão desta primeira fase do trailer não é mais do que um tributo a esse génio do cinema português, que pensava antes de mais no seu público. Manoel de Oliveira sempre percebeu a profundidade do discurso nos seus filmes e por isso sempre deu ao espectador o tempo para reflectir sobre o acontecimento a que assistia.
Numa segunda fase, são então mostrados ao espectador alguns exercícios sobre as piadas secas surgidas ao longo da existência do blog.
E aqui a genialidade surge novamente. Os autores não se limitam a transpor um discurso verbal para um meio audiovisual, não. Antes, adaptam à linguagem própria de um ecrã esse discurso inicial, fazendo uma releitura das piadas secas.
Agradável é também verificar que todas (mesmo todas) as personagens são referidas no genérico final. Poucas obras dão esta dignidade àqueles que colocam tanto de si num trabalho deste género. O trailer remata com uma soberba música anteriormente lançada pelos blosequistas.
Será difícil manter tal nível, mas aguardemos ansiosamente a obra final.

Nota: tendo em conta que resolvi, mais uma vez, mostrar à minha máquina quem manda, e que por isso não pude ver novamente o trailer, que estará algures, espero eu, num dos 300 mil backups, e ainda pressionada pelos prazos que o meu editor me colocou, reservo-me o direito de acrescentar adendas a esta review, nas próximas edições do nosso suplemento cinematográfico.

15 comentários:

Sofia Bento disse...

Ai! Acho que me enganei nas tags e coloquei o blog inteirinho em itálico. Lá vou, ver se consigo resolver... têm backups disto?
Se não voltar dentro de 6 horas enviem uma equipa de salvação à minha procura...

Sofia Bento disse...

Uff! Já estava a ver a minha vida a andar para trás... Voltei :)
De qualquer forma foi uma prespectiva interessante ver tudo abaixo do meu post em itálico, barra ao lado incluída.
Pois... o leitor não deu por ela? É o que dá não estar atento...

RJT disse...

Não pensei que o pormenor da luz na cena inicial fosse percebida. Ainda bem que temos espectadores tão atentos. No entanto, a Sofia cometeu uma imprecisão: a nossa pequena homage a esse génio chamado Orson Welles não é, de modo algum, imcompatível com o ambiente nostálgico que tentámos, de facto, imprimir à cena. A própria árvore de Natal sugere um ambiente familiar e acolhedor, próprio deste blog. No resto, concordo com a sua análise.

TRAlves disse...

Ultimamente toda a gente anda desatenta... Isto tem estado mesmo muito parado (pelo menos neste último dia...).

Let's look at a trailaO review, além de ter sido de uma objectividade e profissionalismo só exigido a uma excelente jornalista como a Sra.Sofia, deu ânimo para a produção do DVD.
Se dantes estava certo, agora não restam dúvidas: VAI SER UM GRANDE SUCESSO*.

Nos covis do piadismo seco já se fala em algumas cenas, que vou aqui deixar em jeito de afiadeira de espectativas (daquelas que partem sempre o bico ao lápis no fim...):
- Devaneio "Urinol..." em versão infomercial
- Matraquilos de Shaolim
- Piadas Tolkianas em animação com bonecos warhammer
- etc...

Quem tiver outras sugestões, é favor colocar neste post.
allways watch good moves

TRAlves disse...

(*) ou não...

RJT disse...

Não esquecer a cena do foto fínixe.

RedScout disse...

Não esquecer a instalação do urinol em tua casa, para os extras.

RJLouro disse...

Sinceramente, ó Sofia, Manoel de Oliveira???? FDS, tá bem que a primeira parte é secante, mas comparar a essa homenagem viva da sonolência e da cura para a prisão de ventre é que não!

É que pronto, há limites para tudo.. qualquer dia estão a comparar a música do TRAlves ao José Cid. Quer dizer, por acaso o José Cid é melhor, mas é só porque tem recurso a ferramentas melhores!

Anónimo disse...

Um conselho:
Façam o Zarabatana (ainda estou à espera do alpha), leiam, vejam filmes, tirem o vosso mestrado... Qualquer coisa! Agora, por favor, DEIXEM DE ENCHER A NET DE LIXO!

Finalmente ganhei estomago para visitar este blog; aguentei 4 minutos a ver (partes) do trailer (ou como queiram chamar) e digo-vos...

PAREM!

Ass: Marado

PS -> Façam um bem à comunidade e a vós própios: fechem o blog, o wiki e essas coisas todas; redireccionem os endereços para qq coisa tipo Wikipédia: façam alguma coisa de útil... Porque estas coisas são uma valente seca e perca de tempo.

PPS -> Desculpem a sinceridade...

RJLouro disse...

Atão tu, alguém que afirma que detesta humor seco, que detesta Monty Python querias vir aqui e ficar satisfeito? Ó Marado, tu tens que deixar de fumar dessas coisas pá.. era como se eu fosse a uma missa e no fim viesse dizer que não tinha gostado. Ou melhor, era como se um paneleiro fosse às putas (fêmeas) e viesse dizer que aquilo não prestava.

Sinceramente, deixa-me responder na mesma moeda e dizer-te que para parares de mandar comentários sobre o qual não percebes nada, que no fundo é isso a tua posição no humor seco. Canaliza os teus esforços para algo mais útil, tipo festejos natalícios e tal =)

Sofia Bento disse...

Muito, muito obrigada, sr. Marado.
Tendo em conta que estamos num Mestrado em Piadas secas, este e (estou sem acentos :) ) o maior elogio que alguem nos podia fazer.
Mais adiante, e de uma forma mais seria e/ou compenetrada poderei explicar porque, ainda que parecendo que nao, este tipo de "coisa inutil" pode ser importante...
:)

RedScout disse...

Porque estas coisas são uma valente seca

Não precisavas de dizer mais nada. Isto é de facto o que queriamos ouvir e o que nos faz continuar.

Sofia Bento disse...

Mas onde está o seu cavalheirismo, sr. RJT? Obrigar-me desta forma a ler novamente o meu post?
Não me parece ter dito que havia uma incompatibilidade entre um ambiente nostálgico e um contra-picado.
Nas regras, de facto, dizem que sim, por isso é que muitas vezes somos confrontados no cinema e na televisão com cenas tipo chapa4.
O facto de ter referido esta particularidade deveu-se ao facto de considerar interessante a junção entre um plano que normalmente está associado à imponência, à grandiosidade, ao poder, à autoridade e ao mesmo tempo utilizar outros códigos, esses sim, de nostalgia, familiaridade...
De qualquer forma, o sr. RJT escusa de negar, que eu sei muito bem que isto foi tudo pensado ao mais ínfimo pormenor, ou o cavalheiro pensa que engana alguém? Julga que o espectador, quando confrontado com a qualidade desta obra, não percebe a importância de cada pormenor?
Ou o sr. RJT queria fazer passar aquela imagem tão em voga hoje em dia de fazer tudo às três pancadas e assumir que sim?

RJT disse...

A Sofia também me obrigou a reler o meu comentário, porque eu nunca neguei que tudo foi pensado ao infimo pormenor (aliás, porquê negar as evidencias?). Apenas disse que nao pensei que o público reparasse.

Sofia Bento disse...

"A Sofia também me obrigou a reler o meu comentário"
É para o cavalheiro sentir na pele o que é...