domingo, outubro 15, 2006

no curso de Finlandês

A professora estava a ensinar como se cumprimenta, em Finlandês. Aquela coisa do:

- Moi, mitä kuuluu?
- Kiitos, hyvää. Entä sinulle?
- Hyvää, kittos.*

Nessa altura, o Tom resolveu perguntar como se dizia se não estivéssemos bem ou se estivéssemos mais ou menos.
A professora esteve bem uns 10 minutos a tentar perceber o que queria ele dizer, até que disse que se podia dizer de tal maneira, mas isso implicava que o interlocutor iria ter de perguntar porquê, ao que se seguiria uma resposta, na qual, a pessoa que perguntou não estava realmente interessada, pelo que neste caso o melhor seria ficar pelo hyvää, kiitos, ainda que fosse mentira.

Ante alguma perplexidade, a professora justificou dizendo que era a lógica do autocarro. É a mesma lógica que faz com que um finlandês ao entrar num autocarro nunca se sente ao lado de alguém a não ser que conheça a pessoa. E parece ser por isso que os autocarros andam sempre com pessoas em lugar sim, lugar não.

Se é verdade? Não faço ideia. Eu, cá, ando sempre a pé.

Ainda não encontrei um único português em Turku, embora haja italianos e espanhóis como se não houvesse amanhã. Mas há um russo que fala alguma coisa de português e sempre que me entra na cozinha lá me diz "Como estás?". Mas ele deve ser mais do que um, porque quando lhe faço a mesma pergunta responde "Bens, obrigados"

Relativamente ao humor finlandês, ainda não tenho dados que permitam concluir o que quer que seja.
Tentei fazer uma piada com um finlandês, mas não deu resultado. Aqui, em vez de pombos, há corvos, que fazem muito barulho, voam em bandos muito próximo dos telhados e andam pela cidade, como os pombos em Portugal. Pelo que, ante este espectáculo pouco tranquilizador, me virei para um finlandês e disse "Hitchcock must have been here, just before shooting Birds", ao que o moço respondeu muito sério e visivelmente interessado "Why?"
(Foi o cabo dos trabalhos para sair desta, é o que vos digo...)


*- Olá como estás?
- Bem, obrigada. E tu?
- Bem, obrigada.

1 comentário:

TRAlves disse...

Eu também sofro do mesmo problema com a pergunta: "tudo bem?". O que se passa é que (fazer a expressão do Jim Carey naquele filme) "I CAANT LIE..".

Eu respondo sempre "mais ou menos" ou "vai-se andando" ou "relativamente bem". Claro que logo de seguida me perguntam: "então o que é que se passa?", ao que eu respondo: "estou a trabalhar" ou "está a chover" ou "estou aborrecido" ou "não estou apaixonado".

Uma vez, após terem feito essa tal pergunta, eu respondi algo do estilo:
- Queres mesmo saber se está TUDO bem? Queres que agora te enumere todos os aspectos da minha vida actual e os avalie no seu grau de benzidade? Tens tempo para isso? Queres mesmo ouvir a resposta? Achas que a nossa amizade aguenta este tipo de revelação pessoal, honesta e aberta? Estás preparado para aguentar com as consequências de eu enfrentar, aqui e agora, todos os meus demónios interiores?
- Pah, só perguntei se está tudo bem...
- Estou mais ou menos.
- Porquê?